{"id":1379,"date":"2023-05-26T15:46:28","date_gmt":"2023-05-26T15:46:28","guid":{"rendered":"https:\/\/3x22.bbm.usp.br\/?page_id=1379"},"modified":"2023-10-17T17:06:35","modified_gmt":"2023-10-17T17:06:35","slug":"boletim-travessias","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/3x22.bbm.usp.br\/?page_id=1379","title":{"rendered":"Boletim Travessias"},"content":{"rendered":"\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden class=\"wp-block-file__embed\" data=\"https:\/\/3x22.bbm.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Boletim_travessias_final.pdf\" type=\"application\/pdf\" style=\"width:100%;height:600px\" aria-label=\"Incorporado de Boletim_travessias_final.\"><\/object><a id=\"wp-block-file--media-4e7b6e50-b4be-4a73-aad4-f3c09515e863\" href=\"https:\/\/3x22.bbm.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Boletim_travessias_final.pdf\">Boletim_travessias_final<\/a><a href=\"https:\/\/3x22.bbm.usp.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Boletim_travessias_final.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-4e7b6e50-b4be-4a73-aad4-f3c09515e863\">Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<p class=\"tw-sm-hidden has-normal-font-size\">Este boletim surgiu sob o signo da Travessia. De inspira\u00e7\u00e3o rosiana mesmo, uma travessia pelo percurso da exist\u00eancia, pela grave vida daqueles que nascem sob o signo colonialista e que carregam consigo as contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de seu momento presente. Se n\u00f3s, Projeto 3&#215;22, estamos a pensar o Brasil, entrecruzando as temporalidades nas quais o questionamento \u201co que \u00e9 ser brasileiro?\u201d foi projetado, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de olhar para o tr\u00e2nsito entre as territorialidades que foram tecidas, umas \u00e0s outras, pela l\u00edngua portuguesa. \u00c9 sobre esse brasileiro, ou sobre essa brasilidade, que vamos falar. Ela, que n\u00e3o ficou apenas aqui, neste continente ocidental, mas atravessou o Atl\u00e2ntico e plantou sementes hist\u00f3ricas em Angola, Mo\u00e7ambique, Cabo-Verde e Portugal.<br>Cada uma das tr\u00eas se\u00e7\u00f5es do nosso Boletim \u00e9 organizada a partir de uma temporalidade espec\u00edfica. Partimos do questionamento o papel do Brasil enquanto territ\u00f3rio do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX (ou seja, antes da Independ\u00eancia, nosso primeiro 22), no imagin\u00e1rio de domina\u00e7\u00e3o de Portugal, e os impactos da ruptura que foi a declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia. Quem nos apresenta esse tema \u00e9 a professora Patr\u00edcia Marcos, da UCLA-San Diego. Depois, Um defeito de cor, de Ana Maria Gon\u00e7alves, pela an\u00e1lise da professora Fernanda R. Miranda, da UFBA, aborda o panorama contradit\u00f3rio da di\u00e1spora e escraviza\u00e7\u00e3o negra durante os 1800. Adiante, a professora Fabiana Carelli, da FFLCH-USP, reflete sobre a rela\u00e7\u00e3o entre cinema e medicina, demonstrando como as pel\u00edculas m\u00e9dicas produzidas por Portugal buscavam legitimar sua presen\u00e7a em \u00c1frica. Em seguida, o poeta Pedro Moreira analisa dois poemas oitocentistas, comparando a identifica\u00e7\u00e3o com a p\u00e1tria pessoal atrav\u00e9s do confronto com o diferente; estamos a falar dos poemas de Gon\u00e7alves Dias e Maia Ferreira. Terminando a se\u00e7\u00e3o, Elisa Lucinda, a atriz, poeta e ativista negra, nos concede uma entrevista na qual aborda n\u00e3o apenas seu pr\u00f3prio di\u00e1logo com as literaturas de l\u00edngua portuguesa, como tamb\u00e9m as estruturas que mant\u00e9m o Brasil como um pa\u00eds colonialmente edificado.<br>Nossa segunda se\u00e7\u00e3o pensa o 1922 e o esp\u00edrito da \u00e9poca modernista. Partimos analisando o lusotropicalismo de Gilberto Freyre atrav\u00e9s do texto do professor J\u00falio Machado, da UFF. Depois, temos prazer em relan\u00e7ar o texto Ecos do Modernismo Brasileiro entre Africanos, da professora Maria Aparecida Santilli. Esse texto foi um dos primeiros a pensar as rela\u00e7\u00f5es entre as literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa e o Brasil. Com base nesses estudos, o texto da professora Vima Lia, da FFLCH-USP, apresenta o ensino de literaturas com base na Lei 11.645\/08, que modifica a 10.639\/03, que institui o ensino das literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa e afro-brasileiras nas universidades e escolas p\u00fablicas do pa\u00eds. Em seguida, temos a entrevista com Rita Chaves, professora aposentada de Literaturas Africanas da FFLCH-USP, que al\u00e9m de realizar um testemunho do seu percurso enquanto especialista em literatura angolana, sendo uma das primeiras pesquisadoras dessa literatura nacional no Brasil, esclarece as rela\u00e7\u00f5es entre a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Guimar\u00e3es Rosa, Luandino Vieira e Mia Couto. N\u00e3o se pode esquecer dos seus desejos para 2022, dos quais Elisa Lucinda tamb\u00e9m compartilha.<br>Chegamos ent\u00e3o \u00e0 \u00faltima se\u00e7\u00e3o de artigos que investigam as rela\u00e7\u00f5es dentro do mundo lus\u00f3fono, com especial aten\u00e7\u00e3o ao terceiro 22, o nosso presente. Come\u00e7amos a analisar, portanto, os efeitos e contradi\u00e7\u00f5es internas vividos por Portugal assim que sua domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se extingue nos pa\u00edses africanos, atrav\u00e9s do texto de Vanda Ara\u00fajo, aluna de Hist\u00f3ria da FFLCH-USP. Luca Fazzini, com um texto sobre as cidades porosas e pelo olhar de dois escritores angolanos de intr\u00ednseca rela\u00e7\u00e3o com a cultura brasileira, Jos\u00e9 Eduardo Agualusa e Ondjaki, apresenta como Rio de Janeiro e Luanda se relacionam, manifestando persist\u00eancias coloniais, dentre elas o racismo. A seguir, Mo\u00e7ambique \u00e9 analisado pelo olhar de dois escritores. Stela Saes, doutoranda de Letras na FFLCH-USP, comenta o olhar feminino de Paulina Chiziane sobre o percurso hist\u00f3rico de seu pa\u00eds; e Franklin Cordeiro Pontes, estudante de Letras na mesma universidade, aborda, em duas obras de Ungulani Ba Ka Khosa, a discuss\u00e3o do autor sobre os v\u00e1rios discursos que comp\u00f5e o horizonte ideol\u00f3gico de seu pa\u00eds, correlacionando essa diversidade discursiva com a mem\u00f3ria e a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Finalizamos nosso boletim com duas entrevistas com os escritores Patricia Lino e Jos\u00e9 Eduardo Agualusa. Patr\u00edcia nos fala sobre seu livro, \u201cKit de sobreviv\u00eancia do descobridor portugu\u00eas no mundo anticolonial\u201d, que foi uma das obras semifinalistas do pr\u00eamio Oceanos em 2021, no qual o humor \u00e1cido da s\u00e1tira desvela os pressupostos coloniais que ainda existem na mentalidade portuguesa (e n\u00e3o s\u00f3). J\u00e1 Agualusa conversa conosco sobre sua obra, o papel da literatura e seus desejos para o Brasil em 2022. Vale ressaltar que, por estarmos em contexto pand\u00eamico, todas as entrevistas presentes do boletim foram realizadas atrav\u00e9s das redes sociais, sejam por grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio ou de forma escrita.<br>Atrav\u00e9s das edi\u00e7\u00f5es de nossos boletins, o Projeto 3&#215;22 reflete sobre o Brasil, partindo de temas estruturais que questionam as no\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e cristalizadas que atribuem aos brasileiros. A nossa perspectiva, de entrecruzamento de temporalidades, permite que encontremos as continuidades, supera\u00e7\u00f5es e problem\u00e1ticas que ainda fazem parte do cotidiano da na\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de refletir sobre o di\u00e1logo existente entre os pa\u00edses em que o colonialismo foi respons\u00e1vel por aproximar estruturas societ\u00e1rias t\u00e3o diversas, formando novas culturas sob o signo da troca. Troca imposta. Troca colonial. Se as nacionalidades possuem algum projeto para si, talvez come\u00e7ar por analisar os pressupostos de sua trajet\u00f3ria seja um bom in\u00edcio. Que a travessia seja outra. Que essa travessia seja nossa. Boa leitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este boletim surgiu sob o signo da Travessia. De inspira\u00e7\u00e3o rosiana mesmo, uma travessia pelo percurso da exist\u00eancia, pela grave vida daqueles que nascem sob o signo colonialista e que carregam consigo as contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de seu momento presente. 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